A ascensão meteórica da série O Gambito da Rainha trouxe as mulheres no xadrez para o centro da discussão cultural — mas você sabia que não faz tanto tempo que as mulheres eram amplamente excluídas desse esporte?
Aqui estão alguns fatos surpreendentes sobre a história das mulheres no xadrez!
Lutando para competir
Atualmente, os torneios de xadrez são abertos tanto para homens quanto para mulheres, mas nem sempre foi assim. Na verdade, até o início do século 20, as mulheres eram frequentemente impedidas de entrar em clubes de xadrez ou de competir ao lado dos homens.
Nos séculos anteriores, as mulheres da aristocracia europeia podiam jogar xadrez entre si ou na corte, mas eram proibidas de jogar com os homens de maneira mais formal. Por padrão, a maioria dos clubes de xadrez na Europa e nos EUA era exclusiva para homens, e isso foi assim até os anos 1900! O primeiro Campeonato Mundial de Xadrez Feminino foi realizado em 1927 — quase 50 anos após o primeiro Campeonato Mundial de Xadrez, em 1886.
A primeira mulher a competir com os homens em nível mundial foi Vera Menchik, uma enxadrista tcheco-inglesa nascida na Rússia. Ela também se tornou a primeira campeã mundial feminina! Ela continuou a dominar o xadrez feminino por 17 anos até sua morte prematura, aos 38 anos de idade, em decorrência de um ataque aéreo alemão a Londres na Segunda Guerra Mundial.
Mas isso não significa que a barreira tenha sido quebrada de uma vez por todas. Em 1977, os homens participantes do Campeonato Nacional Indiano se uniram para pedir à Organização Nacional de Xadrez da Índia que impedisse uma mulher, Rohini Khadilkar, de competir no torneio aberto. Ela teve que apelar ao presidente da Federação Mundial de Xadrez (FIDE), Max Euwe, para conseguir competir.
Atrair mulheres para o esporte
Na lista de classificação da Federação Mundial de Xadrez (FIDE), as mulheres representam cerca de 11% de todos os jogadores ranqueados. São 58.488 mulheres contra mais de 473.000 homens!
Há muitas razões para a diferença de gênero no xadrez. As mulheres frequentemente enfrentam obstáculos significativos no mundo do xadrez, desde a falta de apoio psicológico e financeiro até terem que enfrentar preconceitos e vieses e lidar com a pressão para desistir.
Fatores culturais e sociais podem certamente desempenhar um papel importante. Pesquisadores observaram que, embora meninos e meninas participem de forma mais igualitária na primeira infância, a participação feminina cai rapidamente à medida que a idade aumenta e as crianças chegam à idade adulta. (Não é tão diferente dos dados sobre meninas na matemática!)
Mulheres no xadrez como uma tradição familiar
Alguns tentaram argumentar que as diferenças biológicas podem estar por trás da disparidade de gênero no xadrez, mas a história das irmãs Polgár contradiz fortemente isso. Um psicólogo húngaro chamado László Polgár realizou um experimento dentro de sua própria família, decidindo criar suas 3 filhas imersas no xadrez.
Os resultados foram notáveis! Uma filha, Judit Polgár, tornou-se a maior jogadora de xadrez de todos os tempos. Outra, Susan Polgár, tornou-se campeã mundial feminina, e a terceira filha, Sofia Polgár, obteve os títulos de Mestre Internacional e Grande Mestre Feminina.
O curso de xadrez do Duolingo também tem uma conexão familiar especial com as mulheres no xadrez! Elisa Camps Troncoso (página em inglês) é designer de aprendizagem sênior na equipe de xadrez e vem de uma longa linhagem de jogadoras de xadrez: sua tia-avó, Aída Camps Rosales, não apenas venceu vários Campeonatos Nacionais Femininos do México, mas também foi pioneira no xadrez feminino no país. Ela até liderou as primeiras equipes do México nas Olimpíadas de Xadrez Feminino!
Mulheres no mais alto nível: grandes mestres
Atualmente, há 1.879 grandes mestres — e entre eles apenas 44 são mulheres.
A primeira mulher a obter o título de grande mestre de xadrez foi Nona Gaprindashvili, em 1978. Em janeiro de 2026, as mulheres representam pouco mais de 2% de todos os grandes mestres… e olha que essa porcentagem aumentou ao longo do tempo!
Devido a essa proporção extremamente baixa entre homens e mulheres, a Federação Mundial de Xadrez (FIDE) criou gradualmente títulos exclusivos para mulheres a partir da década de 1950, na esperança de incentivar a participação feminina.
Entretanto, de forma um tanto controversa, esses títulos exclusivos para mulheres têm critérios de qualificação significativamente mais baixos do que os títulos gerais. Por exemplo, os títulos exclusivos para mulheres exigem uma pontuação mínima de 200 pontos a menos do que os títulos gerais. Essa diferença de 200 pontos significa que a probabilidade de uma grande mestre feminina com a pontuação mínima vencer um grande mestre regular com a pontuação mínima é inferior a 25%.
Mesmo com esses requisitos reduzidos, apenas 339 mulheres já conquistaram o título de grande mestre feminina. Mas há esperança: dentro da Federação de Xadrez dos EUA, a participação feminina aumentou 70% desde 2009, então esperamos que o número de grandes mestres femininas — e também de grandes mestres que são mulheres — cresça! 💪
Primeiro a(s) damas(s) 👑
Portanto, da próxima vez que você se sentar para jogar xadrez, lembre-se: cuidado com a dama!