Com um padrão de movimento fora do comum, o cavalo pode saltar sobre as outras peças, criar ameaças inesperadas e protagonizar algumas das táticas mais imprevisíveis do jogo.
Veja tudo o que você precisa saber para usar os cavalos ao seu favor!
Neste post:
- Introdução ao xadrez: o cavalo
- Como o cavalo se move
- Táticas com o cavalo
- Dicas de estratégia para o cavalo
- O que fazer e o que evitar com o cavalo
Introdução ao xadrez: o cavalo
Você vai reconhecer o cavalo assim que bater o olho no tabuleiro de xadrez: é a peça com formato de cabeça de cavalo! Os jogadores começam a partida com dois cavalos na primeira fileira, cada um entre uma torre e um bispo.
Algo muito interessante é que o movimento do cavalo permaneceu inalterado ao longo dos séculos. De fato, hoje em dia ele se move exatamente da mesma forma que no chaturanga, o antecessor do xadrez moderno.
Em termos de valor de peça, o cavalo geralmente vale 3 pontos, o mesmo que o bispo.
Como têm o mesmo valor, cavalos e bispos são classificados como peças menores. Eles são menos poderosos que as peças maiores (torres e damas), mas ainda são peças úteis e versáteis.
Um cavalo sozinho não consegue dar xeque-mate (post em inglês), assim como um bispo sozinho. Porém, embora seja possível dar xeque-mate com dois bispos, você não consegue fazer isso com dois cavalos!
Como o cavalo se move
Você pode pensar no movimento em L do cavalo de várias maneiras:
- duas casas na vertical e depois uma na horizontal;
- duas casas na horizontal e depois uma na vertical;
- uma casa na vertical ou na horizontal e depois uma na diagonal, se afastando do ponto de partida.
Essas são algumas das maneiras de visualizar o movimento do cavalo. Use a que fizer mais sentido para você!
Esse movimento característico dá ao cavalo outra capacidade exclusiva: ele é a única peça do xadrez que pode saltar sobre as outras. Isso significa que o cavalo pode se mover mesmo quando outras peças bloqueiam o seu caminho!
Por causa do movimento em L, o cavalo alterna a cor da casa em que está a cada lance. Se ele começar em uma casa escura, o próximo lance sempre terminará em uma casa clara, e vice-versa. Com o tempo, essa peça pode alcançar qualquer casa do tabuleiro.
O cavalo captura da mesma forma que se move. Ele captura apenas a peça que está na casa em que aterrissa, e não as peças sobre as quais salta durante o movimento.
Táticas com o cavalo
Uma das armas táticas mais poderosas do cavalo é o garfo, que ocorre quando uma peça ataca duas peças inimigas ao mesmo tempo. Um único garfo de cavalo pode render uma grande vantagem material (ou seja, uma diferença maior na soma do valor das peças de cada jogador) ou até decidir a partida.
O cavalo consegue atacar oito casas diferentes ao mesmo tempo, o que costuma tornar os seus lances mais difíceis de visualizar do que os das outras peças. Por isso, é comum que alguns jogadores não percebam garfos e outras táticas dos adversários envolvendo cavalos, principalmente quando estão correndo contra o relógio. De fato, se o seu adversário estiver com pouco tempo, muitas vezes vale a pena manter os seus cavalos no tabuleiro em vez de trocá-los, porque ele pode não enxergar algumas táticas!
Além dos garfos, o cavalo pode executar várias outras táticas importantes:
- Mate sufocado: o cavalo dá xeque-mate enquanto o rei adversário está cercado pelas próprias peças.
- Xeque duplo: duas peças atacam o rei ao mesmo tempo.
- Moinho de vento: uma sequência de xeques para ganhar material.
Essas possibilidades táticas são mais uma prova de como o cavalo pode ser uma peça perigosa.
Dicas de estratégia
Os cavalos são peças de curto alcance. Em comparação com as peças de longo alcance (bispos, torres e damas), eles demoram mais para atravessar o tabuleiro. Enquanto o bispo, a torre e a dama podem cruzar o tabuleiro inteiro em um único lance, o cavalo precisa de várias jogadas para percorrer a mesma distância.
Como o cavalo ameaça apenas casas próximas, ele precisa estar perto das peças inimigas para atacar. Por isso, uma das melhores casas para um cavalo é um posto avançado: uma casa protegida por um peão, onde ele não possa ser facilmente atacado pelos peões adversários. Os postos avançados centrais são especialmente poderosos, pois permitem que o cavalo ataque o maior número possível de casas.
Cavalo vs. bispo
Cavalos e bispos são peças menores que valem 3 pontos, mas cada um oferece vantagens bem diferentes:
| Cavalos | Bispos | |
|---|---|---|
| Cobertura de casas | Ambas as cores | Apenas uma cor |
| Posições em que se destacam | Fechadas | Abertas |
| Alcance de ataque | Curto alcance | Longo alcance |
| Finais de jogo em que se destacam | Peões em apenas um lado do tabuleiro | Peões nos dois lados do tabuleiro |
Veja por que bispos e cavalos se complementam tão bem:
- Os cavalos geralmente se sobressaem em posições fechadas, pois podem saltar sobre peões e outras peças e se reposicionar em qualquer casa do tabuleiro, não importando a cor.
- Em posições abertas e finais de jogo, os cavalos costumam ser mais fracos do que os bispos, especialmente quando há peões em ambos os lados do tabuleiro. Em parte, isso acontece porque os bispos têm maior mobilidade e conseguem controlar os dois lados do tabuleiro ao mesmo tempo, enquanto os cavalos têm alcance curto e precisam de vários lances para chegar a regiões mais distantes.
Qualidade
Um último conceito importante envolvendo os cavalos é a qualidade: uma troca desigual em que um cavalo ou um bispo é trocado por uma torre. Você ganha a qualidade quando captura a torre do adversário (que vale 5 pontos) em troca de um cavalo ou de um bispo (que valem 3 pontos). Você perde a qualidade quando entrega uma torre em troca de um cavalo ou de um bispo.
Embora ganhar a qualidade normalmente represente uma vantagem material significativa, sacrificar a qualidade pode ser a melhor opção em algumas situações. Por exemplo, se um cavalo adversário estiver defendendo peças importantes ou controlando casas-chave, talvez valha a pena abrir mão de uma torre para eliminá-lo.
O que fazer e o que evitar com o cavalo
Como qualquer peça no xadrez, os cavalos rendem mais quando usados adequadamente.
O que fazer
💡 Desenvolva os cavalos logo no início.
Os cavalos costumam ser desenvolvidos nos primeiros lances da partida. Aliás, geralmente se recomenda desenvolvê-los antes dos bispos, já que eles têm menos opções de desenvolvimento.
💡 Coloque os cavalos no centro.
Um cavalo no centro pode controlar até oito casas — mais do que em qualquer outra posição. Além disso, dali ele pode saltar facilmente para qualquer lado do tabuleiro quando necessário.
💡 Procure postos avançados.
Um cavalo instalado em um posto avançado pode se tornar uma peça de ataque poderosa a longo prazo, além de ser difícil de desalojar.
O que evitar
🚫 Evite colocar os cavalos na borda do tabuleiro.
Quando estão nas bordas, os cavalos controlam apenas metade das casas que poderiam atacar.
🚫 Evite levar os cavalos para os cantos do tabuleiro.
Já diz o ditado: “Cavalo no canto só traz desencanto.” Um cavalo no canto do tabuleiro controla apenas duas casas, tornando-se extremamente ineficaz e pouco atuante no combate.
Cavalgue rumo à vitória
O padrão de movimento do cavalo pode parecer complicado no início, mas, nas mãos de jogadores habilidosos, ele se torna uma das peças mais perigosas do tabuleiro.